Neuroplasticidade: memória e aprendizagem
Aprendendo um pouco sobre a plasticidade neuronal e suas funções.

A plasticidade é o nome que se dá para a capacidade de modificação do funcionamento e das estruturas do nosso cérebro e ela está presente em todo o tecido nervoso, desde o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) até o sistema nervoso periférico (nervos do corpo e membros). Ela pode ser estimulada de variadas maneiras, como pela leitura, por exercícios físicos, etc., estando relacionada ao desenvolvimento de funções cognitivas diversas. Desse modo, constitui-se em um conceito fundamental para a compreensão de como acontece a formação da memória e de como se dá a aprendizagem, assim como para entender o que ocorre em doenças neurodegenerativas, como a Doença de Alzheimer, por exemplo. Além disso, também está diretamente envolvida na reabilitação de lesões neurológicas, como em casos de Acidente Vascular Cerebral.
Há variadas tipologias de plasticidade, categorizadas conforme diferentes classificações. Podem se dar quanto à morfologia (mudanças estruturais nos axônios, dendritos ou sinapses), funcionalidade (mudanças fisiológicas e sinápticas) ou comportamento (relacionadas à aprendizagem e memória). E ainda, de acordo com os tipos a seguir:
- Neurogênese, onde há proliferação de células neuronais.
- Regeneração, que consiste no restabelecimento das ligações neuronais em decorrência de lesões, como por exemplo fraturas. É mais bem-sucedida nos axônios do sistema nervoso periférico do que no sistema nervoso central, por isto quando há lesão na coluna, por exemplo, o indivíduo fica imobilizado da região lesada para baixo.
- Plasticidade nas arborizações axonais e dendríticas, que diz respeito às mudanças nas conexões dos axônios e dos dendritos (extremidades dos neurônios).
- Plasticidade nas espinhas dendríticas (localizadas nos dendritos), com a presença de sinapses excitatórias, que são a base da memória.
- Redirecionamento de circuitos neurais, que consiste na mudança de setores funcionais do mapa neural no cérebro, em decorrência de lesões neuronais como AVC, por exemplo.
A plasticidade no nosso sistema nervoso também pode acontecer em diferentes momentos da vida, sendo maior durante as primeiras fases do desenvolvimento da criança. A chamada 'plasticidade ontogenética' consiste nas mudanças decorrentes das interações entre o genoma e o meio ambiente, desde o período embrionário, com nascimento e especialização de células neuronais. Esta fase inicial é chamada 'período crítico' (PC), pois é o momento no qual sua manifestação é maior. Existem períodos críticos com diferentes durações, as quais variam conforme a função a ser estabelecida. A aquisição da linguagem, por exemplo, é um exemplo de PC mais duradouro. A plasticidade adulta, por sua vez, tem caráter celular e molecular, incidindo sobre as sinapses (conexões entre neurônios). Ela ocorre em regiões específicas do cérebro, como em algumas áreas do hipocampo. Estudos recentes explicam que há, nestas regiões, células ainda não especializadas (que ainda não se diferenciaram conforme suas funções) e, por isto, seriam capazes de plasticidade na fase adulta. Todavia, maiores investigações são necessárias a fim de possibilitar compreensões mais aprofundadas sobre o tema.
01 de Abril de 2018 - Por: Hellen Salazar / hrmsalazar@hotmail.com
REFERÊNCIAS
KANDEL, Eric R. Principles of Neural Science. New York: Elsevier, 2014.
LENT, Roberto. Cem Bilhões de Neurônios. Rio de Janeiro: Atheneu, 2010.
LENT, Roberto. Neurociência da Mente e do Comportamento. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
PURVES, Dale; et al. Neurociências. Porto Alegre: Artmed, 2010.